O bullying, uma forma de violência repetitiva e intencional que intimida ou agride, tem impacto direto no desempenho acadêmico de estudantes brasileiros, conforme aponta o Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (Timss), divulgado nesta quarta-feira (4). Segundo os dados, estudantes que relataram sofrer bullying apresentaram até 72 pontos a menos em provas de matemática e ciências, em comparação com aqueles que não vivenciam esse tipo de violência.
O que é bullying e como ele se manifesta
Bullying engloba atos de violência física ou psicológica, como apelidos pejorativos, expressões preconceituosas, isolamento social, insultos e ataques físicos. Essa prática pode ocorrer presencialmente, no ambiente escolar e arredores, ou digitalmente, por meio das redes sociais. Caracteriza-se pelo desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas, sendo a vítima geralmente mais fragilizada.
No Brasil, a Lei 13.185/2015 estabelece que é responsabilidade das escolas, clubes e agremiações recreativas adotar medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying. No entanto, os números do Timss revelam que esse problema ainda persiste e interfere no aprendizado.
Impacto no desempenho escolar
Os resultados do Timss, que avaliou estudantes do 4º e 8º anos do ensino fundamental em matemática e ciências, mostram a gravidade da situação. No 4º ano, 24% dos alunos relataram sofrer bullying, alcançando médias de 368 pontos em matemática e 387 em ciências — abaixo do nível considerado mínimo (400 pontos). Já entre os estudantes que quase nunca ou nunca enfrentaram bullying, as médias foram significativamente melhores: 427 pontos em matemática e 459 em ciências.
No 8º ano, a diferença também é alarmante. Estudantes vítimas de bullying obtiveram médias de 346 pontos em matemática e 384 em ciências. Em contraste, aqueles que relataram não sofrer bullying alcançaram 403 e 446 pontos, respectivamente.
O Brasil no cenário internacional
Esta foi a primeira participação do Brasil no Timss, um estudo organizado pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), que avalia o conhecimento em ciências e matemática desde 1995. Com aplicação realizada entre agosto e setembro de 2023, o estudo envolveu 44.900 estudantes de 796 escolas públicas e privadas do 4º ano e 849 do 8º ano.
Os resultados destacam que mais da metade dos estudantes brasileiros não possuem conhecimentos básicos de matemática, enquanto mais de um terço não domina conceitos elementares de ciências. O desempenho nacional ficou abaixo da média internacional, reforçando a necessidade de políticas públicas que combatam tanto o bullying quanto as dificuldades estruturais no ensino.
A importância de combater o bullying
Além de prejudicar o desempenho acadêmico, o bullying afeta a saúde mental e o bem-estar dos estudantes, comprometendo seu desenvolvimento integral. O combate a essa prática deve ser prioridade, envolvendo escolas, famílias e toda a sociedade.
Investir em um ambiente escolar mais seguro e acolhedor é essencial para garantir que todos os estudantes tenham as mesmas oportunidades de aprendizado e desenvolvimento pessoal.











